domingo, 13 de agosto de 2017

DIA DOS PAIS: SER PAI...

Colaborador: Hugo de Almeida Harris
  


Ser pai é valorizar cada instante ao seu lado.
Ser pai é voltar a ser criança, sem vergonha de ser ridículo.
Ser pai é ser coruja, mostrar pra todos que te ama, sem medo de ser piegas.
Ser pai é superar as adversidades, muitas vezes graças à sua fundamental existência.
Ser pai é saber que você sempre será prioridade.
Ser pai é saber que se a sua existência for problema pra alguém que se aproxima de mim, essa pessoa não vale a pena.
Ser pai, porém, é saber equilibrar minha vida pessoal, particular, com sua presença. Pois um papai contente, no íntimo, rende mais.
Ser pai é gostar do simples som de sua voz, de sua risada quando faço cosquinhas ou quando entende algo engraçado num desenho animado.
Ser pai é ficar feliz com cada conquista, mesmo que seja apenas conseguir lavar as mãos sozinho.
Ser pai, hoje, é superar a tristeza de não vê-lo todos os dias, entender o contexto, e fazer você se sentir em casa em cada momento comigo.
Ser pai às vezes é saber dar bronca, não ter medo de educar.
Ser pai é ficar o tempo todo atento para também não ser excessivamente rígido, libertando-me de uma "programação mental" de que criança tem que "entrar na linha". Não, criança tem que ser criança e bagunçar!
Ser pai é tentar fazer você gostar de um ambiente cultural que sempre foi tão caro pra mim e que fez a diferença na minha criação.
Enfim. Pra mim, ser pai é ter você.
Obrigado, meu filho, por me proporcionar um Dia dos Pais

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A REVOLTA IRLANDESA E ALEMÃ NO RIO DE JANEIRO


(um episódio esquecido da História do Brasil)

As Províncias Unidas do Rio da Prata se tornaram independentes da Espanha em 1809, tendo como capital Buenos Aires (o nome Argentina só foi utilizado após 1826). A Província Cisplatina fazia parte do Império do Brasil, mas a Argentina a reivindicava para si. A Província era estrategicamente muito importante para o Brasil, pois se localizava no delta dos rios Paraná e Paraguai, dois rios importantes para o escoamento do ouro das Minas Gerais e da prata do Peru.
Em 1825, as Províncias Unidas do Rio da Prata invadiram a Cisplatina, instigando os moradores, principalmente do interior, contra o Brasil. O Imperador D. Pedro I considerou a situação intolerável e lhes declarou guerra.
À medida que a guerra avançava, foi necessário contratar estrangeiros para reforçar o contingente armado. Os jornais, políticos e homens de negócios que se opunham à guerra, haviam envenenado a população contra estes soldados para lutar uma guerra que parecia não ter fim. Havia batalhas nas ruas do Rio de Janeiro entre os estrangeiros (principalmente alemães) e os brasileiros e escravos africanos, levando muitas vezes a graves consequências.
D. Pedro encontrava-se em situação bastante delicada, pois tinha de resolver logo esta guerra com o país vizinho. Precisava de mais soldados, a fim de fortalecer as tropas combatentes. Com esta finalidade, enviou um mercenário irlandês de nome Coronel Cotter para recrutar seus compatriotas com a promessa de fazendas de 20 hectares para cada família, livres de qualquer custo ou vínculo.
Mais de 2500 fazendeiros pobres e iliteratos e suas famílias se aventuraram. Muitos venderam o pouco que tinham para comprar implementos agrícolas para a vida nova no Brasil. Aparentemente, não sabiam que tinham sido recrutados para lutar como mercenários.
Dez navios deixaram Cork, na Irlanda e chegaram ao Rio de Janeiro entre dezembro de 1827 e janeiro de 1828. Quando chegaram, viram as promessas virarem pó, pois os irlandeses descobriram, ao aportarem, que Cotter havia lhes faltado com a verdade. A maioria recusou fazer parte da milícia, pois foram trazidos da Irlanda como colonos. Resistiram bravamente em não usar o uniforme do exército imperial e somente após a intervenção do embaixador inglês, houve uma trégua na exigência de fazerem parte da tropa de mercenários.
Os irlandeses foram abandonados, sem proteção ou apoio das autoridades. Tiveram de formar grupos para se defenderem, lutando com paus e pedras contra os agressores, que consistiam fundamentalmente dos escravos africanos, que formavam uma boa parte da população do Rio de Janeiro e que tinham profunda antipatia pelos imigrantes irlandeses e alemães que eles chamavam de escravos brancos.
Havia grande descontentamento entre os irlandeses e os mercenários alemães devido ao mau tratamento dado pelos comandantes, falta de pagamento de salários e boatos de que era iminente a ida deles para o sul para lutar. Um dos alemães foi condenado a cinquenta chibatadas por uma pequena infração, que foi quintuplicada para 250, sem nenhuma justificativa. Depois de 210 chibatadas, os alemães libertaram seu camarada e atacaram o oficial. Este foi o estopim para a revolta, que começou em 9 de junho de 1828. Notícias da revolta alemã rapidamente chegaram aos irlandeses e cerca de 200 deles se juntaram aos insurgentes.
Dirigiram-se ao centro da cidade, as fileiras aumentando com a participação dos colonos irlandeses frustrados pelas promessas não cumpridas, acompanhados de suas mulheres e crianças. Logo começou intensa violência. Saquearam e queimaram centenas de casas e lojas e, por onde passavam, gritavam: “Morte aos portugueses!” e “Morte aos brasileiros!”. Ameaçavam inclusive enforcar D. Pedro.
No segundo dia chegou-se à conclusão de que as tropas brasileiras no Rio de Janeiro eram insuficientes para acabar com a revolta. Foram fornecidas armas aos cidadãos e, pela primeira vez, aos escravos africanos. Lentamente, os irlandeses e alemães foram obrigados a recuar e a se isolar nos quartéis, os melhores locais para poderem se defender.
O imperador solicitou ajuda das Marinhas Inglesa e Francesa atracadas no porto do Rio. Os marinheiros ocuparam locais estratégicos na cidade, liberando o contingente brasileiro para atacar os amotinados.
No terceiro dia, muitos dos rebeldes se renderam e foram conduzidos ao cais do porto, onde foram aprisionados em navios. Houve grupos que se recusaram e, no dia seguinte, foram dizimados numa batalha com pesadas baixas de ambos os lados. O número oficial entre amotinados, civis e tropas do império, foi de 360 mortos e 480 feridos. O centro do Rio de Janeiro estava destruído, com corpos dos mortos e mutilados por toda parte.
D. Pedro I queria se livrar o quanto antes daqueles rebeldes. Os alemães foram mandados para províncias em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Quanto aos irlandeses, cerca de 1500 foram mandados de volta para a seu país de origem, à custa dos cofres brasileiros, e ainda mais pobres do que quando deixaram a Irlanda.
Dado ao alto custo da guerra pelos dois países e o comprometimento do comércio principalmente com a Grã-Bretanha, aquele país forçou os beligerantes a assinarem, cerca de dois meses depois do motim, o Tratado de Montevidéu, onde foi reconhecida a independência da Província Cisplatina, sob o nome de República Oriental do Uruguai.
Mais uma vez, observa-se a inútil perda de vidas, por causa de uma decisão inescrupulosa e precipitada de um governo autocrático e autoritário. A perda da Província Cisplatina deixou o povo brasileiro muito insatisfeito com o Imperador e, embora não fora o principal motivo, contribuiu para forçar a abdicação de D. Pedro I em 1831.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O ESCOCÊS E O KILT


Certa noite, um jovem escocês deixou o bar,
E podia-se imaginar, pelo jeito dele andar,
Que havia tomado todas, mais do que pudesse guardar!
Cambaleava até ficar em pé não mais conseguir,
E deitou-se na grama, ao lado da calçada, para dormir.
Pouco tempo depois, duas belas garotas passaram por ele,
E, olhando uma para a outra, pestanejando, disseram dele:
— Oh, que bonito e forte escocês. Nem um pouco velhote,
Será que é verdade o que não usa por baixo do saiote?
Aproximaram-se silenciosamente para mover
Seu kilt, que levantaram alguns centímetros para ver
Nada além do que Deus lhe abençoou ao nascer!
Maravilharam-se com a visão, mas apressaram-se para ir,
Propondo deixar-lhe uma lembrança antes de partir.
Como presente, uma fita azul em laço uma delas amarrou
Em volta da “estrela” escocesa que o saiote erguido mostrou.
Ao acordar pelo chamado da Natureza, o escocês cambaleou
Rumo a um grupo de árvores e atrás de um arbusto ficou.
Levantou seu kilt e estupefato deslumbrou
E disse, em voz trêmula, perante o que lá constatou:
— Meu chapa, eu não sei por onde você andou,
Mas vejo que o prêmio de primeiro lugar você ganhou!!
Poema desenvolvido e baseado na
letra de uma tradicional
canção de língua inglesa, intitulada
“The Drunken Scotsman”
(O Escocês Bêbado)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O REI ARTUR E A TÁVOLA REDONDA




 O Rei Artur é uma figura histórica, no sentido de simbolizar um acontecimento verdadeiro, ou seja, a luta dos celtas contra a invasão dos saxões durante o século V e começo do século VI da era cristã. Por outro lado, embora tenha sido identificado como rei dos celtas, ele não é histórico, pois a existência dele jamais foi comprovada. O que tem chegado aos nossos dias não é uma biografia, mas uma lenda de extraordinária beleza. A maioria dos historiadores acha que Artur provavelmente existiu, ou como um indivíduo, ou como a composição de várias pessoas. Já que muitos heróis medievais eram homens de verdade, há a possibilidade de que Artur tivesse sido um guerreiro medieval celta, sobre o qual foi construída uma superestrutura mitológica. Suas histórias se tornaram importantes como base da origem da Inglaterra atual, principalmente pela narrativa do relacionamento entre saxões e celtas.

Dizem que nasceu em Tintagel, sob a proteção do mago Merlin. Há muita magia em torno do nome de Artur. Viveu com sua esposa, a Rainha Guinevere, em Camelot, sede de sua corte. Outro local importante na lenda arturiana é Avalon, onde Viviane, a Dama do Lago, entregou para Artur a espada Excalibur. Uma outra, que tinha sido dada por Merlin, fora quebrada em combate. Quando Artur se feriu gravemente na sua última batalha, foi levado para Avalon, onde acabou morrendo.

A primeira descrição que se tem de uma távola redonda relacionada com o Rei Artur foi em 1155, pela disputa entre seus cavaleiros que não aceitavam ficar num lugar mais inferior do que de seus pares. Daí a távola redonda, ou seja, uma mesa arredondada, que deixava todos em igualdade de condições à mesa, pois não havia nenhuma cabeceira. Lendas à parte, consta em certas crônicas que o próprio Carlos Magno (c.742-814) possuía uma távola redonda decorada com o mapa de Roma.

A cidade de Winchester, que era “a primeira cidade do Reino Saxão Ocidental”, nunca foi considerada a capital da Inglaterra, pois o consenso geral entre historiadores sobre os anglo-saxões era de que a corte real era itinerante naquela época e não havia uma capital fixa. Duas estruturas são de suma importância: a Catedral e o Castelo. A catedral é bem conhecida, por possuir a mais longa nave de todas as catedrais góticas da Europa. O Castelo de Winchester, originalmente construído para Guilherme, O Conquistador, em 1067, tem o Grande Salão como a única estrutura remanescente. O castelo é famoso, porque lá se encontra uma imitação da Távola Redonda do Rei Artur, e o tampo da mesa está pendurado numa parede deste salão. Acredita-se que esta mesa redonda tenha sido feita para um torneio próximo de Winchester, festejando o enlace de uma filha do Rei Eduardo I, em 1290.

Tomei conhecimento de que a Távola Redonda existia mesmo quando, em 1958, li sobre a mesma no jornal “O Estado de São Paulo”. Guardo o recorte até hoje e fiz uma promessa de que na minha primeira visita à Inglaterra, conheceria esta famosa e lendária mesa. Só consegui cumprir minha intenção 34 anos depois!

É, sem sombra de dúvida, uma mesa fantástica, muito elegante. O tampo mede 5,5m de diâmetro, com espessura de quase 10cm, pesa 1200kg e é feito de carvalho inglês maciço. Está exposta numa das paredes do Grande Salão seguramente desde 1522; provavelmente desde 1348, ano em que se fez uma reforma do salão. A decoração pintada que vi, foi feita no reino de Henrique VIII, que mandou inserir a rosa dos Tudors em seu centro (símbolo de sua dinastia). As cores são tão vivas que parecem ter sido feitas ontem. Logo acima da rosa central encontra-se a figura de Henrique VIII, como a substituir o Rei Artur. Nas bordas da mesa há os nomes de 24 dos lendários Cavaleiros da Távola Redonda (vários nomes vem à mente: Sir Percival, Sir Lancelot, Sir Galahad e Sir Mordred). Torna-se impossível ler o que está escrito, pois o tampo está erguido a uns seis metros do chão. Mesmo observando uma fotografia de perto, para nós, leigos, as palavras góticas ficam difíceis de ler! Esta pintura foi feita especialmente para impressionar Carlos V, da Espanha, quando visitou a Inglaterra naquele ano de 1522. Parece que, originalmente, a mesa não possuía nenhuma decoração. Há sinais de que o tampo fora coberto, antes da decoração mencionada, com feltro ou couro. Com o passar do tempo teve de ser removido, provavelmente porque apodreceu.

As histórias do Rei Artur e seus nobres Cavaleiros da Távola Redonda perduram há mais de 1500 anos e é uma saga épica de fascinante interesse para historiadores e leigos.

Quem visita Winchester, vislumbrando a mesa, pode usar seu imaginário e ver os lugares ocupados por aqueles cavaleiros com suas vestes deslumbrantes, seus elmos e suas espadas, prontos para defender o Rei Artur de saxões e outros invasores, sabendo que suas famílias estariam seguras e os esperavam em Camelot.


sábado, 3 de setembro de 2016

ESCÓCIA

AOS CAROS LEITORES

Como todos sabem, sou um aficionado pela Escócia.
Decidi, portanto, colocar um marcador para textos
relacionados com este maravilhoso país. É só procurar em 
Modalidades e clicar em 15. Escócia (textos relacionados)
e abrirão os textos sobre a Escócia. Outra alternativa é
procurar no Índice: Escócia, onde encontrará todos
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