sexta-feira, 17 de novembro de 2017

um canal veneziano


Sorte.
É única maneira que posso descrever esta singela fotografia.
Quis eu registrar a passagem de uma gôndola
e consegui tirar a foto justamente quando
o gondoleiro atravessava um feixe de luz solar,
abrilhantando todo o cenário.
(2005) 

Esta fotografia se encontra no livro
Timeless Memories
publicado por 
The International Library of Photography,
2006, sob o título "A Venetian Canal" .

Foi também tema de uma Pizza Literária da
Sobrames - SP, intitulada de Superpizza.
Abaixo transcrevo uma das apresentações:

 IMAGEM

Nunca fui a Veneza
Viajei na fotografia
Achei uma beleza
                                                                                                          — Poetrix de Marcos Gimenes Salun 





sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A CARROÇA DE FENO



(THE HAY WAIN)

A Carroça de Feno é considerada uma das pinturas mais queridas dos ingleses. Esta pintura de John Constable (1776-1837) demonstra um real cenário rural da Inglaterra entre os condados de Suffolk e Essex, no começo do século XIX.
Com meus seis ou sete anos de idade, meus pais me presentearam com uma pequena reprodução numa moldura preta bem simples que eu achava linda demais, comprada no bazar anual da Igreja Anglicana. Sua largura não passava de uns 30 cm (tamanho de uma folha A4). Ficou na cabeceira de minha cama durante todos os anos em que morei com meus pais. Desconhecia o nome do pintor e da obra. Meus pais também não sabiam quem era o autor desta maravilhosa pintura, pois vieram para a América do Sul ainda no início da adolescência e pouco contato tiveram com a arte inglesa.
 Certo dia, como sou filatelista, recebi uns selos da Inglaterra e num deles estava uma reprodução do quadro com o nome do pintor tão procurado. É claro que já ouvira falar de Constable, mas nunca o relacionei com aquela pintura. O selo foi emitido em 1968, época em que ainda não havia recursos como a Internet. Procurei na Enciclopaedia Britannica de meu pai, edição de 1929, e descobri que se encontra na National Gallery de Londres. Jurei que na primeira viagem para Londres visitaria aquele museu que fica em Trafalgar Square, o que só consegui cumprir em 1992. Surpreendeu-me o tamanho real da pintura: 1,30 m x 1,85 m!
É uma pintura a óleo sobre tela. A figura central e principal do cenário bucólico que se desvenda perante nossos olhos é de dois homens tentando fazer os cavalos atravessarem uma lagoinha, puxando uma carroça com feno. Um cachorro observa a cena e parece estar prestes a latir. Não há relatos da raça do cão, mas lembra muito o Springer Spaniel Inglês. Na minha pesquisa na Internet descobri que o selo postal supramencionado foi o primeiro selo britânico a ser lançado no qual figura um cão. Um velho casebre domina o lado esquerdo da tela. Parece haver uma mulher lavando roupa também vendo o drama da carroça. Não menos importante, embora nunca tenha lido nada a respeito, há um menino com uma vara de pescar junto a um barco a remo. Marrecos nadam com tranquilidade lá perto. O que realmente rouba a cena em minha opinião é a preocupação de Constable com as nuvens, típicas nuvens de verão, formadoras de chuva. Ainda na minha análise do quadro, chama atenção a qualidade das árvores em primeiro plano. Bem no fundo observa-se gente trabalhando na lavoura, cercada por grupos de árvores à distância. Tudo isso fornece ao expectador um ar de labuta rural.
Nascido em Suffolk, Constable era um paisagista que gostava de retratar cenas de sua infância. A Carroça de Feno foi executada enquanto residia em Londres e a exibiu pela primeira vez na Academia Real de Londres em 1821. Foi pouco notada, pois estava pendurada numa parede repleta de quadros de outros pintores. Em 1824 foi convidado para exibi-la em Paris, onde ganhou medalha de ouro.
O verdor dos suas paisagens, assim como a austeridade de seus traços o impediram de se tornar membro da Academia Real até 1829, com a idade de 52 anos, pois consideravam que ele não se enquadrava no conceito de pinturas daquela época. Não aceitavam a clareza com que Constable representava suas paisagens com um frescor inconfundível de inabalável realismo.
O casebre e aquela lagoinha existem. Ainda reside gente lá e há uma placa avisando que é propriedade particular e a área é restrita, não sendo permitida a visitação. Na época do verão a Terra de Constable (como é conhecida a região) é assediada por turistas, com centro de convivência e um grande estacionamento lá perto.
Este quadro é tão conhecido que é encontrado como quebra-cabeças, impresso em pratos, em jogos americanos e em toalhas de mesa. Sua popularidade é tão impressionante, que há até mesmo papel de parede com esta pintura de John Constable, A Carroça de Feno!
 


domingo, 13 de agosto de 2017

DIA DOS PAIS: SER PAI...

Colaborador: Hugo de Almeida Harris
  


Ser pai é valorizar cada instante ao seu lado.
Ser pai é voltar a ser criança, sem vergonha de ser ridículo.
Ser pai é ser coruja, mostrar pra todos que te ama, sem medo de ser piegas.
Ser pai é superar as adversidades, muitas vezes graças à sua fundamental existência.
Ser pai é saber que você sempre será prioridade.
Ser pai é saber que se a sua existência for problema pra alguém que se aproxima de mim, essa pessoa não vale a pena.
Ser pai, porém, é saber equilibrar minha vida pessoal, particular, com sua presença. Pois um papai contente, no íntimo, rende mais.
Ser pai é gostar do simples som de sua voz, de sua risada quando faço cosquinhas ou quando entende algo engraçado num desenho animado.
Ser pai é ficar feliz com cada conquista, mesmo que seja apenas conseguir lavar as mãos sozinho.
Ser pai, hoje, é superar a tristeza de não vê-lo todos os dias, entender o contexto, e fazer você se sentir em casa em cada momento comigo.
Ser pai às vezes é saber dar bronca, não ter medo de educar.
Ser pai é ficar o tempo todo atento para também não ser excessivamente rígido, libertando-me de uma "programação mental" de que criança tem que "entrar na linha". Não, criança tem que ser criança e bagunçar!
Ser pai é tentar fazer você gostar de um ambiente cultural que sempre foi tão caro pra mim e que fez a diferença na minha criação.
Enfim. Pra mim, ser pai é ter você.
Obrigado, meu filho, por me proporcionar um Dia dos Pais

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A REVOLTA IRLANDESA E ALEMÃ NO RIO DE JANEIRO


(um episódio esquecido da História do Brasil)

As Províncias Unidas do Rio da Prata se tornaram independentes da Espanha em 1809, tendo como capital Buenos Aires (o nome Argentina só foi utilizado após 1826). A Província Cisplatina fazia parte do Império do Brasil, mas a Argentina a reivindicava para si. A Província era estrategicamente muito importante para o Brasil, pois se localizava no delta dos rios Paraná e Paraguai, dois rios importantes para o escoamento do ouro das Minas Gerais e da prata do Peru.
Em 1825, as Províncias Unidas do Rio da Prata invadiram a Cisplatina, instigando os moradores, principalmente do interior, contra o Brasil. O Imperador D. Pedro I considerou a situação intolerável e lhes declarou guerra.
À medida que a guerra avançava, foi necessário contratar estrangeiros para reforçar o contingente armado. Os jornais, políticos e homens de negócios que se opunham à guerra, haviam envenenado a população contra estes soldados para lutar uma guerra que parecia não ter fim. Havia batalhas nas ruas do Rio de Janeiro entre os estrangeiros (principalmente alemães) e os brasileiros e escravos africanos, levando muitas vezes a graves consequências.
D. Pedro encontrava-se em situação bastante delicada, pois tinha de resolver logo esta guerra com o país vizinho. Precisava de mais soldados, a fim de fortalecer as tropas combatentes. Com esta finalidade, enviou um mercenário irlandês de nome Coronel Cotter para recrutar seus compatriotas com a promessa de fazendas de 20 hectares para cada família, livres de qualquer custo ou vínculo.
Mais de 2500 fazendeiros pobres e iliteratos e suas famílias se aventuraram. Muitos venderam o pouco que tinham para comprar implementos agrícolas para a vida nova no Brasil. Aparentemente, não sabiam que tinham sido recrutados para lutar como mercenários.
Dez navios deixaram Cork, na Irlanda e chegaram ao Rio de Janeiro entre dezembro de 1827 e janeiro de 1828. Quando chegaram, viram as promessas virarem pó, pois os irlandeses descobriram, ao aportarem, que Cotter havia lhes faltado com a verdade. A maioria recusou fazer parte da milícia, pois foram trazidos da Irlanda como colonos. Resistiram bravamente em não usar o uniforme do exército imperial e somente após a intervenção do embaixador inglês, houve uma trégua na exigência de fazerem parte da tropa de mercenários.
Os irlandeses foram abandonados, sem proteção ou apoio das autoridades. Tiveram de formar grupos para se defenderem, lutando com paus e pedras contra os agressores, que consistiam fundamentalmente dos escravos africanos, que formavam uma boa parte da população do Rio de Janeiro e que tinham profunda antipatia pelos imigrantes irlandeses e alemães que eles chamavam de escravos brancos.
Havia grande descontentamento entre os irlandeses e os mercenários alemães devido ao mau tratamento dado pelos comandantes, falta de pagamento de salários e boatos de que era iminente a ida deles para o sul para lutar. Um dos alemães foi condenado a cinquenta chibatadas por uma pequena infração, que foi quintuplicada para 250, sem nenhuma justificativa. Depois de 210 chibatadas, os alemães libertaram seu camarada e atacaram o oficial. Este foi o estopim para a revolta, que começou em 9 de junho de 1828. Notícias da revolta alemã rapidamente chegaram aos irlandeses e cerca de 200 deles se juntaram aos insurgentes.
Dirigiram-se ao centro da cidade, as fileiras aumentando com a participação dos colonos irlandeses frustrados pelas promessas não cumpridas, acompanhados de suas mulheres e crianças. Logo começou intensa violência. Saquearam e queimaram centenas de casas e lojas e, por onde passavam, gritavam: “Morte aos portugueses!” e “Morte aos brasileiros!”. Ameaçavam inclusive enforcar D. Pedro.
No segundo dia chegou-se à conclusão de que as tropas brasileiras no Rio de Janeiro eram insuficientes para acabar com a revolta. Foram fornecidas armas aos cidadãos e, pela primeira vez, aos escravos africanos. Lentamente, os irlandeses e alemães foram obrigados a recuar e a se isolar nos quartéis, os melhores locais para poderem se defender.
O imperador solicitou ajuda das Marinhas Inglesa e Francesa atracadas no porto do Rio. Os marinheiros ocuparam locais estratégicos na cidade, liberando o contingente brasileiro para atacar os amotinados.
No terceiro dia, muitos dos rebeldes se renderam e foram conduzidos ao cais do porto, onde foram aprisionados em navios. Houve grupos que se recusaram e, no dia seguinte, foram dizimados numa batalha com pesadas baixas de ambos os lados. O número oficial entre amotinados, civis e tropas do império, foi de 360 mortos e 480 feridos. O centro do Rio de Janeiro estava destruído, com corpos dos mortos e mutilados por toda parte.
D. Pedro I queria se livrar o quanto antes daqueles rebeldes. Os alemães foram mandados para províncias em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Quanto aos irlandeses, cerca de 1500 foram mandados de volta para a seu país de origem, à custa dos cofres brasileiros, e ainda mais pobres do que quando deixaram a Irlanda.
Dado ao alto custo da guerra pelos dois países e o comprometimento do comércio principalmente com a Grã-Bretanha, aquele país forçou os beligerantes a assinarem, cerca de dois meses depois do motim, o Tratado de Montevidéu, onde foi reconhecida a independência da Província Cisplatina, sob o nome de República Oriental do Uruguai.
Mais uma vez, observa-se a inútil perda de vidas, por causa de uma decisão inescrupulosa e precipitada de um governo autocrático e autoritário. A perda da Província Cisplatina deixou o povo brasileiro muito insatisfeito com o Imperador e, embora não fora o principal motivo, contribuiu para forçar a abdicação de D. Pedro I em 1831.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O ESCOCÊS E O KILT


Certa noite, um jovem escocês deixou o bar,
E podia-se imaginar, pelo jeito dele andar,
Que havia tomado todas, mais do que pudesse guardar!
Cambaleava até ficar em pé não mais conseguir,
E deitou-se na grama, ao lado da calçada, para dormir.
Pouco tempo depois, duas belas garotas passaram por ele,
E, olhando uma para a outra, pestanejando, disseram dele:
— Oh, que bonito e forte escocês. Nem um pouco velhote,
Será que é verdade o que não usa por baixo do saiote?
Aproximaram-se silenciosamente para mover
Seu kilt, que levantaram alguns centímetros para ver
Nada além do que Deus lhe abençoou ao nascer!
Maravilharam-se com a visão, mas apressaram-se para ir,
Propondo deixar-lhe uma lembrança antes de partir.
Como presente, uma fita azul em laço uma delas amarrou
Em volta da “estrela” escocesa que o saiote erguido mostrou.
Ao acordar pelo chamado da Natureza, o escocês cambaleou
Rumo a um grupo de árvores e atrás de um arbusto ficou.
Levantou seu kilt e estupefato deslumbrou
E disse, em voz trêmula, perante o que lá constatou:
— Meu chapa, eu não sei por onde você andou,
Mas vejo que o prêmio de primeiro lugar você ganhou!!
Poema desenvolvido e baseado na
letra de uma tradicional
canção de língua inglesa, intitulada
“The Drunken Scotsman”
(O Escocês Bêbado)