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domingo, 30 de novembro de 2008

AVICENA

Abu Ali al’Husayn ibn Abdallah ibn Sina, abreviado para Ibn Sina, cuja versão ocidental correspondente é Avicena, nasceu no ano de 980, em Afshana (perto de Bukhara), na Ásia Central (hoje Usbequistão) e faleceu em junho de 1037, em Hamadan, na Pérsia (atualmente Irã).

Foi o filósofo-cientista mais influente do Islã. Foi educado pelo pai, cuja casa servia de ponto de encontro para os homens letrados da época. Era entre estes que o jovem Avicena circulava, tornando-se proficiente em todas as ciências e artes. Adquiriu, com o passar do tempo, grande reputação na prática e ensino da Medicina e como administrador.

Aos dez anos de idade, Avicena já era bem versado no estudo do Alcorão. Começou a estudar Filosofia, lendo várias obras gregas e islâmicas. Aprendeu Lógica e outros assuntos pertinentes com Abu Abdallah Natili, famoso filósofo daqueles tempos.

Aos dezessete anos, quando todos os outros médicos tinham desistido, pôde curar o rei de Bukhara de uma doença. Como recompensa, apenas pediu permissão para freqüentar a exclusiva Biblioteca Real dos Samânidas, onde aprimorou ainda mais seus conhecimentos.

Depois da morte do pai e a conquista dos samânidas pelos turcos, deixou Bukhara e perambulou pela Pérsia até se estabelecer em Hamadan, onde tratou o rei local, Shams al-Daulah, de uma grave cólica. Tornou-se o médico da corte, ocasião no qual começou a escrever Al-Qanun fi al-Tibb, O Cânon de Medicina, uma imensa enciclopédia médica, com mais de um milhão de palavras. O livro avalia todo o conhecimento médico disponível de fontes antigas e islâmicas. Além de classificar estes conhecimentos, o livro é rico com as próprias contribuições de Avicena. Por exemplo, o reconhecimento da natureza contagiosa de doenças como a tuberculose, a disseminação de doenças pela água e pelo solo, e a interação entre psicologia e saúde. O livro trata de 760 fármacos, descrevendo suas propriedades, qualidades, virtudes e modos de conservação. Ibn Sina foi o primeiro a narrar a meningite e fez grandes contribuições para anatomia, ginecologia e saúde infantil. O Cânon permaneceu como importante fonte de referência durante seis séculos, tendo sido traduzido para o latim por Gerardo de Cremona. Está entre os mais famosos livros da história da medicina.

Sua enciclopédia Kitab al-Shifa, O Livro da Cura, é um trabalho monumental, abrangendo vasto espectro de conhecimentos. Avicena classificou todos os assuntos da seguinte forma: conhecimento teórico — física, matemática e metafísica; e conhecimento prático — ética, economia e política. Sua filosofia sintetizava a tradição aristotélica, influências neoplatônicas e teologia islâmica.

Entre suas façanhas, observou Vênus como um ponto contra a superfície do Sol e deduziu corretamente que Vênus era mais próximo da Terra que o Astro-rei. Ao se referir que a percepção da luz é devida à emissão de algum tipo de partículas, chegou à conclusão, embora não se saiba como, que a velocidade da luz é finita.

Escreveu mais de 250 obras, dentre elas um tratado de minerais, que foi utilizado como principal referência sobre geologia para os enciclopedistas cristãos do século XIII.

Participou de campanhas militares e muito de sua obra foi escrita durante as mesmas. Numa destas, ficou muito doente e, apesar de tentar aplicar em si seus conhecimentos de medicina, não teve sucesso e morreu.