sexta-feira, 22 de maio de 2015

MARIA-SEM-VERGONHA


(foto da Internet)


Sempre tive muita curiosidade de saber por que essa planta, de origem africana e de nome científico impatiens walleriana, tem o nome popular de maria-sem-vergonha. É conhecida, em inglês, de busy lizzie.

Seu nome científico de impatiens é bem pertinente, pois cresce muito depressa, ou seja, não tem a paciência de se desenvolver lentamente, como a maioria de seus pares. Tem também o nome popular de “beijo” pois, ao mais suave dos toques, suas cápsulas verdes parecem desabrochar, arremessando ao longe suas sementes. As cápsulas vazias se enrolam a seguir e, penduradas nos seus ramos, ornamentam esta planta. Sua alta capacidade de reprodução faz com que se torne uma praga em qualquer jardim.

Sua fama de sem-vergonha prende-se ao fato de que cresce em qualquer tipo de solo, mesmo naquele pobre em nutrientes. Além das sementes que fazem-na se multiplicar desavergonhadamente, reproduz-se também por galhos espetados na terra, facilmente formando raízes e, assim, se espalhando mais depressa do que qualquer erva daninha. Prefere o sol, mas prospera bem na sombra das árvores, plantada propositadamente para substituir aquela grama que não cresce ali. Não gosta de clima frio, nem de geada, portanto não evolui bem na região sul do Brasil. É muito apreciada pelas belas flores de pétalas simples ou dobradas, de cor roxa, salmão e branca, assim como diversos tons de vermelho.

A maria-sem-vergonha aceita ser plantada em vasos, servindo como ornamento em ambientes fechados. Tem-se de cuidar principalmente para que não sofra infestação por cochonilhas e moscas-brancas. Infelizmente, nunca pudemos deixar vasos com flores dentro de casa, nem mesmo violetas sul-africanas — uma flor que também gostamos — pois os nossos gatos apreciam as flores mais do que a gente e as comem. Os gatos são altamente seletivos e só se alimentam das pétalas, deixando para lá os talinhos das flores e a folhagem.

Existe uma outra planta de nome maria-sem-vergonha, a catharanthus roseus, também conhecida por vários outros nomes, vinca-de-madagascar, vinca-de-gato, boa-noite, ou beijo-de-mulata. É endêmica de Madagascar. Em inglês, é conhecida por Madagascar periwinkle. É tão popular quanto a outra maria descrita acima. Esta planta tem aptidões extraordinárias. Os curandeiros de Zanzibar e Madagascar a utilizavam para combater o diabetes. Pesquisadores norte-americanos estudaram a planta e, entre outras, derivaram duas importantes substâncias: a Vimblastina, usada no tratamento de leucemia infantil, com remissão se elevando de 10% para 95% dos casos, e a Vincristina, usada no tratamento de linfoma de Hodgkin. Os dois medicamentos são usados para vários tipos de cânceres, já que agem na inibição da mitose. Convenhamos, esta planta não tem nada de sem-vergonha!

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