sexta-feira, 17 de abril de 2015

OS DENTES DE GEORGE WASHINGTON

  (foto da Internet) 

No século XVIII, o cuidado que se tinha com os dentes era precário e incontáveis pessoas sofriam com dor de dente, cáries e perda dentária. Doenças e alimentação inadequada eram fatores agravantes. Era muito comum a extração dentária feita por leigos, pois os dentistas existentes serviam mais aos militares e à nobreza. Poucos se preocupavam com a higiene bucal e predominava o mau hálito associado. Somente no final do século XIX, pela primeira vez, foi comercializado um dentifrício saboroso que obteve aceitação imediata.
     George Washington não foi nenhuma exceção. Sofria com os dentes desde a juventude. Por ocasião de sua investidura como o primeiro Presidente dos Estados Unidos da América em 1789, ele tinha apenas um dente original em sua boca. Os dentistas da época não o retiraram, pois hesitavam em remover qualquer dente são. Tanto é, que numa de suas dentaduras, havia um buraco apropriado para acomodar aquele dente.
      Contrário ao que se pensava até meados do século XX, as dentaduras de Washington não eram de madeira, pois os materiais mais utilizados eram marfim de hipopótamo, ouro e chumbo. Os dentes eram fixados com parafusos de bronze. Madeira não era usada pelos dentistas daquele tempo. Acha-se que devido ao fato do marfim escurecer com o tempo e uso, uma dentadura poderia ficar com aspecto lenhoso e daí a interpretação errônea de que fosse de madeira. No entanto, pode haver até um quê de verdade, pois há uma versão de que Washington chegou a esculpir uma dentadura de madeira para seu próprio uso.
      Washington sempre se queixou de suas diversas dentaduras, pois lhe causavam dor, resultando em dificuldade para falar e mastigar. Sua luta com as mesmas era considerada segredo de Estado. Além disso, o uso frequente desfigurou sua face, como pode ser observado em várias pinturas da época, alterando o formato da boca e queixo, como se estivessem inchados.
      Atualmente, restam algumas dentaduras de Washington. Há uma dentadura completa no Museu de Mount Vernon, a casa de fazenda de George Washington, feita de dentes humanos e de animais, chumbo e marfim. Uma outra, incompleta, encontra-se na Academia de Medicina de Nova Iorque, bem como o último dente original dele, guardado num recipiente ornamentado.
      Pessoalmente, quando jovem, eu acreditava no mito dos dentes postiços de madeira. Certo dia, ouvindo a rádio "Voice of America", fiquei sabendo que perguntas interessantes sobre a história americana que fossem respondidas, seriam premiadas. Perguntei, por carta, onde se encontravam os dentes do primeiro presidente dos Estados Unidos. Fui chamado ao Consulado Americano para receber o prêmio, um livro sobre a história americana. Saiu nos jornais: "Dentes de Washington proporcionam prêmio a estudante paulista".
       Em 1981, li no jornal "Folha de São Paulo" que uma dentadura de Washington fora roubada do Museu do Instituto Smithsoniano, na cidade de Washington. Pesquisando na Internet, fiquei sabendo que a parte inferior da dentadura fora achada um ano depois numa sala de acesso exclusivo para funcionários do museu, fazendo-se supor que o roubo tenha sido um serviço interno. A parte superior que continha uma armação em ouro nunca foi encontrada. O mais provável é de que fora derretida para se vender o metal.
       Mesmo hoje em dia, com toda a moderna tecnologia disponível, sabe-se como se sofre com dentaduras mal-adaptadas. Isto, sem mencionar os restos alimentares que ficam por debaixo das mesmas, machucando as gengivas, às vezes obrigando o usuário a ficar sem elas até melhorar. Portanto, solidarizamo-nos com George Washington, pelas suas agruras em torno de dentes falsos em pleno século XVIII.

Nenhum comentário:

Postar um comentário