segunda-feira, 28 de julho de 2008

THE AZALEA


Trees and other plants start loosing their leaves in Autumn, getting ready for wintertime. Here in Brazil there are hardly any bright coloured leaves such as you see in Northern countries during that season of the year.

When Winter months arrive, in particular July and August, some plants do bloom, generally with smaller flowers such as Lenten trees and bougainvillea. However, the splendid prevalence comes from azaleas.

São Paulo is known as “City of Azaleas”, as they decorate most gardens and parks of this metropolis. The flowers may vary from dark red to complete white, with many different nuances and have single or double petals. My favourite colour is a ham-coloured pink. The scientific name is Rhododendron indicum, and the plant belongs to the Ericaceae family. Originally, the shrub came from China. The are many specimens in Tibet and Nepal too.

During the remaining months, azaleas are insignificant shrubs and are useful as hedges. Gardeners can trim them when not in flower. The truth is that they only come to attention when in bloom, more intense in mid-August. A few years ago I photographed azaleas through the gates of a residence not far from home (see above). Whoever planted them was very successful in mixing colours.

In the Northern hemisphere, there are other plants of the same family known as rododendrons. Originally also from China, they are tall shrubs and the flowers are bunched together in clusters differently from azaleas. They are of many different colours, predominating reds and whites, though you have yellows, oranges and blues. Of course, azaleas can be found as well.

The rhodondendron family contains a toxin called graianotoxin, present in pollen and nectar. Due to this, honey produced from these plants is poisonous. The rest of the plant is poisonous also, especially the leaves.
When in the U.K., we visited Inverewe Garden, a large area of exotic plants in the Northwest of Scotland, on a very barren countryside. The place was transformed into fertile land by Sir Osgood Mackenzie at the end of the 19th. century. They have many rododendrons of different shapes and colours there. The scenery is beautiful. Even in towns and cities throughout the British Isles, these plants are favourites in ornamenting gardens.

São Paulo is blessed by azaleas. Everyone appreciates them and admires their courageous proliferation during the colder months of the year. It is Nature’s gift to forget Winter’s hardships.

domingo, 27 de julho de 2008

O BEM-TE-VI


(uma recordação da infãncia)

A rua era bem arborizada e chovera muito na noite anterior. Meu pai e eu subíamos lentamente a mesma para chegar à minha escola, o externato. Como sempre, eu caminhava tagarelando, e meu pai, distraidamente, me ouvia.
Subitamente, notando que meu tom de voz mudara, prestou mais atenção no que eu dizia pois, encostado no meio-fio estava um filhote de passarinho, de plumas eriçadas, se debatendo e eu o queria ver de perto.
Meu pai agachou-se e pegou o passarinho, colocando-o na palma de sua mão. Não precisava ser um veterinário para fazer o diagnóstico: estava com uma das pernas quebradas. Com a forte chuva, deve ter caído de um ninho de alguma das árvores. Sorte sua que nenhum gato vadio o tivesse encontrado. Lá fui de volta para casa, contente da vida por não ir para a escola e impressionado com a preocupação de meu pai com aquele pequeno ser.
Ele tinha grande experiência com passarinhos e tinha em gaiolas cerca de meia dúzia de aves. Com todo carinho, com aquelas mãos enormes que tinha, delicadamente improvisou uma tala feita com um palito de fósforo, prendendo-a à perna do coitado com fita adesiva (durex). Pôs o bicho numa gaiola vaga e deu-lhe água e alpiste.
O tempo foi passando e o pássaro foi perdendo sua plumagem de filhote, transformando-se num exuberante bem-te-vi.
Foi um dia de festa quando meu pai achou que o pássaro poderia ficar sem a tala de palito de fósforo. De volta à gaiola, o bem-te-vi foi pulando numa perna só como fizera quando estava com a tala. Aos poucos e, cuidadosamente, foi se apoiando na perna recuperada até sentir-se seguro. Não tardou e voava dentro da gaiola, debatendo-se dentro daquele espaço restrito.
Fechamos as janelas e portas da cozinha e soltamos o pássaro. Pulou da gaiola para a pia, da pia para um banquinho e deste para o chão. A cada pulo, batia as asas para abrandar suas quedas. Saltitou um pouco pelo chão, bateu mais fortemente as asas e alçou vôo. Para todos nós que assistíamos, era a prova final da capacidade de veterinário de meu pai, e todos batemos palmas. Enfim, achando que tivesse sido cansativo para o bem-te-vi, foi colocado de volta na gaiola, repetindo-se o feito por mais alguns dias.
Num almoço de domingo, meu pai anunciou que iria soltar o bem-te-vi. Lá no jardim, abriu a portinhola da gaiola, o pássaro saiu, levantou vôo e foi à procura do galho de árvore mais próximo. Apontamos para ele e, pela primeira vez, se pôs a cantar: Bem-te-vi! Bem-te-vi!, como a agradecer-nos por tudo que tínhamos feito por ele.
Durante vários meses deixamos, numa mesa lá fora, laranjas cortadas ao meio e, religiosamente, o bem-te-vi voltava, sempre anunciando sua presença com seu canto. Um dia, vimos que viera acompanhado de outro bem-te-vi. Cantando sublimemente, beliscou a laranja e, junto com sua companheira, levantou vôo. Nunca mais o vimos...
Ainda hoje, quando escuto o trinado de bem-te-vis nas árvores, imagino se não são descendentes daquele que, há tempos, salvamos de uma alagada sarjeta.

domingo, 20 de julho de 2008

trem de prata - trem de lata


Trem de Prata, Sonho Dourado. Esta é a propaganda que se faz da viagem de trem-leito noturno no trajeto São Paulo / Rio de Janeiro. Um verdadeiro engodo, uma vergonhosa propaganda enganosa.
Fizemos a viagem na noite de 19 de novembro. Na chegada à estação na Barra Funda, defrontamo-nos com um comboio de vagões prateados, nem um pouco reluzentes, que pareciam não receber um bom banho fazia tempo, posteriormente confirmado pela limpeza das janelas, das quais tínhamos até dificuldade para enxergar lá fora.
Depois de deixar a bagagem nas cabines, aguardamos a partida no vagão que funciona como bar. Chamou-nos atenção o aspecto velho dos vagões, malconservados, aparentando mais de cinqüenta anos. Ao sentarmos nas poltronas do bar, de tecido verde desbotado, afundamos nelas. As molas e espuma certamente não são revistas desde a montagem dos vagões.
O serviço de bar, apesar da atenção dispensada pelos garçons, é muito caro para o que se tem a oferecer.
Um dos pontos altos da viagem deveria ser o jantar. Afinal de contas, o panfleto se refere ao 'prazer de uma boa mesa'. Ao entrar no vagão-restaurante, observa-se um recuo para os anos quarenta. Não há de se negar a arrumação e a beleza para quem é saudosista ou aprecia um ambiente que só vira no cinema. Lamentavelmente, pára por aí qualquer comparação.
O cardápio, apresentado com toda a pompa, apresenta duas escolhas de entrada, de prato principal e de sobremesa. Cada um de nós fez a sua escolha. Estranhamos a demora para nos servir, uma vez que havia somente metade da costumeira lotação do trem, como viemos a saber. De súbito, um garçom veio nos informar que havia acabado o prato de entrada que escolhêramos.
Achei um absurdo. Aquilo raramente ocorre, mesmo em hotéis ou restaurantes de terceira categoria. Pedi que chamasse o gerente. Este nos disse que se fazia uma previsão de sessenta por cento de um prato e quarenta por cento do outro prato e infelizmente quase todos pediram o prato de menos unidades (melão e presunto). Como não quiséssemos o outro prato, providenciou uma pequena porção de salada de batatas. O pior não foi isto: no café da manhã seguinte, entre as outras coisas servidas, havia melão e presunto e o trem não havia parado durante a noite para ser reabastecido!
Se não bastasse aquilo, o prato principal era de quantidade ínfima e veio frio e embora tivesse solicitado que o aquecesse, voltou frio. A salada de frutas, uma das opções escolhidas, tinha frutas passadas. O jantar, o ponto alto da viagem, foi uma grande decepção.
Fomos dormir, porque ficar no vagão-bar é muito desconfortável. Isto, porque não sabíamos o que nos esperava nas cabines. A cabine com beliche é muito apertada, porém isso é culpa de quem construiu o vagão. Queria ver alguém tomar banho de ducha no banheirinho, onde mal dá para se mexer. Há ainda um aviso na parte interna da porta, para que se tome o banho de porta fechada. É claro, porque senão a tendência seria de se tomar banho na cabine, discretamente mais espaçosa.
Para quem dormiu – ou melhor, tentou dormir – no beliche superior, foi um sufocante pesadelo. O ar-condicionado da cabine mais parecia um ventilador mal-ajustado, de tanto barulho que fazia e estava a centímetros de minha cabeça. Virar na cama foi quase impossível, de tão apertado. O balanço do trem é outro fator muito desconfortante. Acho que não se pode esperar outra coisa de vagões malcuidados e uma estrada de ferro sucatada.
A tentativa de dormir foi em vão. Desistimos às quatro-e-meia da manhã e decidimos procurar o vagão-bar, que pelo menos é mais espaçoso. Estava todo às escuras. Pedimos ao nosso cabineiro, que por sinal foi muito atencioso, para ligar o ar condicionado e acender as luzes. Depois de vinte minutos de calor intolerável, ligou-se o ar, mas foi-nos dito que não poderiam acender as luzes, porque tinham ordem de ligá-las somente às seis horas. Viajamos no escuro até clarear o dia. Imagino a situação de alguém que sofresse de insônia!
O Trem de Prata chegou ao destino no horário previsto, quando então saboreamos um ótimo café da manhã.
Se, apesar de tudo o que descrevemos, ainda queira experimentar essa viagem, acredite no que diz o panfleto: "A bordo de um hotel sobre trilhos, você vive uma noite inesquecível". Pelo menos assim, não poderá julgar-se enganado, pois não é especificado nem o tipo de hotel e muito menos de que forma se tornará a noite inesquecível!
Este artigo foi escrito em 1997.
Foi enviado para a empresa responsável e também para vários jornais.
Não obtive nenhuma resposta e o mesmo não foi publicado nos jornais.
Só sei que meses depois a linha foi desativada.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A AZALÉIA



Durante o outono, observamos a queda da folhagem das árvores e as plantas começam a se desnudar, no preparo para o inverno. Diferentemente do hemisfério norte, poucas são as folhas que ficam coloridas, ornamentando a paisagem.

Quando chegam os meses de inverno, em especial julho e agosto, algumas espécies apresentam sua florada invernal, geralmente de flores menores, como é o caso das quaresmeiras e primaveras. Contudo, prevalecem em todo seu esplendor, as azaléias.

São Paulo é conhecida como a cidade das azaléias, tal a maravilhosa variedade de suas flores, que embelezam os jardins e parques da metrópole. As flores variam de vermelhas a brancas, podendo apresentar tons de roxo e róseo, simples ou dobradas. Minha cor predileta é uma cor-de-rosa listrada com branco que me lembra fatias de presunto. É também conhecida por azaléa ou azálea. Seu nome científico é Rhododendron indicum, pertencente à família das ericáceas. Sua origem é chinesa. Existem muitas espécies no Tibete e Nepal.

Durante o resto do ano, a azaléia se mantém como um arbusto um tanto insignificante e é utilizada como cerca viva. Aceita podas após a floração, tomando o formato desejado pelo jardineiro. A bem da verdade, só chama a atenção quando se arrebenta em flores, mais intensas em meados de agosto. A um quarteirão de casa, há alguns anos, fotografei um jardim por entre as grades. Quem plantou as azaléias teve muito bom gosto, misturando as diversas cores.

No hemisfério norte, nas zonas temperadas, há outras variedades de azaléias, conhecidas por rododendros. Também vindos da China, em geral são arbustos de grandes proporções e as flores se dão em cachos, o que não ocorre com as espécies daqui. As cores são exuberantes, desde o branco a diversos tons de vermelho e com variedades amarelas e alaranjadas.

Curiosamente, os rododendros contêm uma toxina chamada graianotoxina, existente no pólen e no néctar. Devido a isso, o mel produzido a partir dessas plantas é venenoso. O resto da planta também é venenoso, especialmente as folhas.

Quando no Reino Unido, visitamos Inverewe Garden, uma enorme área paisagística de plantas exóticas que se localiza no extremo noroeste da Escócia e é uma região bastante inóspita. Existe desde o fim do século XIX, graças à idealização de Sir
Osgood Mackenzie que a transformou em local fértil. Há muitos rododendros de formas e cores diferentes. Mesmo nas cidades, essas flores se tornam favoritas para agraciar os jardins.

São Paulo está abençoada pelas azaléias. Não há quem não as aprecia e admira sua corajosa proliferação nos meses mais frios do ano. É uma dádiva da Natureza, que nos faz esquecer um pouco as agruras do inverno.