domingo, 22 de fevereiro de 2009

Meus Caros Leitores


Levou mais de um ano para passar para vocês meu romance "O Castelo da Colina". Sei que para muitos, a insistência de mandar um aviso semanal de que havia novo trecho no meu Blog foi cansativo, requerendo um simples toque do Del para removê-lo do computador. No entanto, houve vários leitores que acessaram o Blog toda semana para ler o próximo trecho do romance.

Agora, o romance acabou. Aos que o leram, espero que tenham gostado. Não posso lhes oferecer o livro por que está esgotado e não sei quando farei nova edição. Pretendo imprimir nova edição de outro romance, "O Baú do Passado", que também está esgotado.

Tenho ainda exemplares da nova edição de "A Árvore de Chocolate: a saga de uma família".

Um quarto romance está sendo planejado e já foram escritas umas 60 páginas, mas os compromissos profissionais têm dificultado a execução do mesmo. Quem sabe algum dia ainda chegaremos lá.

Continuarei colocando no Blog minha obra literária e espero que a fonte não irá secar!

Como se costuma dizer:

E N J O Y !

Walter

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A ALIANÇA

anel celta

O ANEL ERA ORIGINALMENTE um sinal de autoridade, um símbolo da união entre um soberano e seu povo, ou ainda entre a Igreja e Deus, bem como um símbolo de união e fidelidade conjugal.

A parte mais larga de um anel é o engaste, que pode receber uma jóia, ou decorações de diversos tipos, sejam florais ou de animais, ou outras formas das mais variadas. Os anéis mais antigos eram feitos de ouro e geralmente tinham engastes redondos ou ovalados. No antigo Egito, eram enfeitados com a flor do lótus, o falcão, a serpente, a esfinge e outros símbolos. Entre os gregos antigos, os anéis portavam cabochões, que são pedras, preciosas ou não, talhadas e polidas, porém não lapidadas, tais como a cornalina, um tipo de calcedônia vermelha, e a granada, também vermelha. Os romanos preferiam fundir moedas no engaste e havia até anéis que incluíam dois dedos ao mesmo tempo. A arte celta apresentava anéis com figuras de animais entrelaçados, modelados em ouro. Durante a Idade Média, os anéis eram protuberantes, com engastes representando folhas e animais heráldicos. Os anéis da Renascença eram modelados em alto relevo, com decorações complicadas baseadas em motivos arquitetônicos e eram, às vezes, usados no polegar. Eram freqüentemente esmaltados em cores variadas. Havia também o anel com receptáculo, dentro do qual podia haver alguma substância venenosa, embora o mais comum era portar algum memento sentimental em miniatura. Na Índia, os anéis eram usados tanto nos dedos das mãos, como dos pés, um costume também adotado em muitas regiões africanas. Por outro lado, o anel era completamente desconhecido na América pré-colombiana.

A aliança de casamento, dos tempos modernos, é geralmente de ouro, sendo um simples círculo, normalmente sem adornos. Do casal, era costume apenas a mulher portar a aliança. No entanto, há anos que o homem também a usa, sendo a troca de alianças um dos pontos altos de uma cerimônia de matrimônio.

Um belo dia, estava no ambulatório atendendo uma paciente, quando me dei conta que eu estava sem minha aliança. Mal consegui terminar a consulta, chocado que fiquei de tê-la perdido. A aliança ficara enraizada no meu subconsciente como um importante símbolo de meu casamento. Seguramente não havia tirado o anel do dedo por nenhum motivo. Era de manhã e no dia anterior não havia operado, única ocasião em que me desvestia da aliança. Tentei recordar o que fizera no dia anterior e só me lembrei que tinha confeccionado vários aparelhos gessados e, para fazê-los, usava luvas cirúrgicas, devido à secura que o gesso faz em minhas mãos. Concluí que ao retirar as luvas, a aliança fora junto. Fui até o hospital e, juntamente com o pessoal da limpeza, revirei todo o lixo coletado no dia anterior, que ainda não tinha sido mandado embora. Nada encontramos. Nada!

Tive de compartilhar o desagradável fato com minha esposa. Mais do que depressa, fomos à joalheria e mandamos fazer uma nova aliança, ao custo de US$100.00, e passei a usá-la.

Passaram-se uns seis meses. Certa noite, fui jogar tênis. Na penumbra do local onde me arrumava, procurava uma testeira dentro de minha valise e, ao retirá-la, veio junto um objeto circular dourado. Que diabo era aquilo? Não pude acreditar quando, já num lugar iluminado, descobri que se tratava da famigerada aliança sumida. Era óbvio o que acontecera. Ao enfiar minha mão na valise para pegar alguma coisa, deixei a aliança lá dentro, sem perceber. Havia jogado tênis na noite anterior de dar conta da perda dela, mas nem me lembrei deste fato na ocasião. Coloquei de volta a aliança original e guardei a outra que mandara fazer.

Quando chegaram as Bodas de Prata, decidimos ornar nossas alianças com dois anéis de ouro branco, com a aliança de nosso casamento soldada entre eles. Levei a aliança substituta para entrar como parte do pagamento. A joalheria – a mesma – ofereceu menos de US$10.00 por ela! O resultado é que está em casa até hoje, como lembrança daquela aventura. Não tenho a menor intenção de perder minha aliança de novo, porém, se isto vier a acontecer, já sei onde recorrer para não andar por aí sem ela!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Bom Senso


Hoje, nós velamos o falecimento de um querido e velho amigo, Bom Senso, que ficou com a gente durante muitos anos. Ninguém sabe, com certeza, qual era sua idade, porque os registros de nascimento se perderam no meio da burocracia.

Ele sempre será lembrado por ter transmitido lições como, de quando se tem de sair da chuva para não se molhar, porque um só pássaro não faz o verão, que a vida nem sempre é justa e talvez tenha sido por minha própria culpa.

Bom Senso vivia com suas finanças balanceadas e em ordem (não gaste mais do que ganha) e com estratégias familiares salutares (os adultos, e não as crianças, são os que mandam).

Sua saúde começou a deteriorar, rapidamente, quando regulamentos bem intencionados, mas exagerados, foram instituídos.

Relatos de um menino de seis anos acusado de assedio sexual por beijar uma colega de classe, adolescentes suspensos da escola por usarem só antisséptico bucal após o almoço, e uma professora demitida por chamar a atenção de um aluno indisciplinado, apenas pioraram as condições de Bom Senso.

Bom Senso perdeu terreno quando pais agrediram professores, acusando-os de estarem fazendo o trabalho que eles próprios não conseguiam, para controlar seus filhos rebeldes.

Piorou mais ainda quando as escolas foram obrigadas a pedir permissão aos pais para administrar paracetamol, usar loção bronzeadora ou esparadrapo num estudante, mas eram impedidas de informar aos pais quando uma estudante ficava grávida e queria fazer um aborto.

Bom Senso perdeu a vontade de viver quando os Dez Mandamentos viraram contrabando, as forças policiais viraram grandes negócios e os criminosos receberam melhor tratamento que suas vítimas.

Bom Senso sentiu-se derrotado ao saber que você não pode defender-se de um ladrão que entra em seu lar e ainda é processado pelo assaltante por agressão.

Bom Senso, enfim, não quis mais viver quando, acidentalmente, uma mulher derrubou uma xícara de café escaldante em seu próprio colo e ela pleiteou e obteve, prontamente, uma enorme indenização.

Bom Senso foi precedido pela morte de seus pais, Verdade e Confiança, sua mulher, Discrição, sua filha, Responsabilidade, e seu filho, Razão.

Sobrevivem a ele, três enteados: Conheço Meus Direitos, Outra Pessoa É O Responsável e Eu Sou Uma Vítima.

Poucos compareceram para dizer adeus a Bom Senso, porque não repararam que ele se fora.

Se você ainda se lembra dele, passe para frente essa nota. Caso contrário, junte-se à maioria e não faça nada.


(tradução do inglês)