domingo, 22 de maio de 2016

DUAS PEDRAS DO DESTINO





Joaquim ben Levy mandou-me o comentário seguinte, após ter lido meu texto UMA PEDRA NA HISTÓRIA DA ESCÓCIA: "Tenho lido várias versões da história (?) Da dita "lia fail". Trata-se da mesma pedra? 

Preferi responder aqui, por achar o tópico demais de interessante para apenas responder à sua indagação no final do texto em apreço.
 
                                                                           (imagem da Internet)
A Pedra do Destino Irlandesa

Na verdade, existem duas Pedras do Destino. A Pedra de Scone, em gaélico escocês An Lia Fáil e em escocês Stane o Scuin, trata-se de um bloco de arenito vermelho usado durante séculos na coroação dos reis escoceses. Como conto no meu texto, é usado na coroação dos monarcas do Reino Unido. A Pedra de Scone foi guardada durante anos na Abadia de Scone, localizada próximo de Perth, na Escócia. Atualmente se encontra no Castelo de Edimburgo. 

No entanto, existe uma outra Pedra do Destino, em gaélico irlandês, Lia Fáil, que é uma pedra que fica no local da coroação dos Grandes Reis da Irlanda. Parece que todos os reis da Irlanda foram coroados ali até cerca de 500 d.C. A Pedra é um menir, ou uma pedra solitária vertical, que data do período neolitico (± 5500 anos atrás) e se localiza do Morro de Tara, no Condado de Meath, na Irlanda.

quinta-feira, 17 de março de 2016

OS LEPRECHAUNS




(imagem da Internet)


OS LEPRECHAUNS
(pronuncia-se: Léprecons)


Há dois tipos de gente no Mundo:
Os irlandeses,
E aqueles que gostariam de sê-los.

Segundo o folclore e a mitologia, os leprechauns vivem na Irlanda e são um tipo de fada macho de estatura baixa, com menos de um metro de altura, ou seja, são duendes, também conhecidos por gnomos. Habitavam a ilha antes mesmo da chegada dos celtas.

Na maioria das histórias, são consideradas criaturas inofensivas que adoram a solidão e vivem em lugares remotos. No entanto, há leprechauns que são mal-humorados e aqueles que gostam de fazer travessuras. Quando lhes convêm, tomam a forma humana de velhinhos de barba, geralmente com um cachimbo na boca. Costumam se vestir elegantemente com roupa na cor verde (nas versões antes do século XX usavam vermelho). Adoram grandes fivelas douradas que adornam os cintos, os sapatos e a aba dos chapéus verdes e altos, típicos dos duendes.

Muitos dos gnomos usam aventais de couro, talvez devido à profissão de sapateiros ou fabricantes de calçados. São os fornecedores oficiais de sapatos para as fadas, calçados estes de uma beleza deslumbrante, por serem feitos de materiais naturais, como gotas de orvalho e flores.

Os leprechauns são muito ricos e escondem seu ouro em locais secretos, normalmente em tocas no meio da floresta que lembram tocas de coelho, e que são revelados apenas se se conseguir capturar um deles. Uma crença popular é de que pode-se encontrar um duende e seu pote de ouro numa das extremidades de um arco-íris. Dita a lenda que, encontrando um leprechaun, mantendo seu olhar fixo nele, o duende não consegue escapar, porém no momento que você se distrai e desvia o olhar, ele desaparece.

O leprechaun é uma espécie em extinção e as autoridades, cientes disso, determinaram que terras próximas da vila irlandesa de Carlingford — onde foi descrita a aparição de um leprechaun —, como área protegida para os 236 duendes vivos remanescentes, de acordo com uma lei arquivada na União Europeia! Naquelas terras há cartazes dizendo que serão processados quem os molestar ou se forem caçadores de fortunas!

Em 17 de março comemora-se o Dia de São Patrício (St. Patrick’s Day), o santo padroeiro da Irlanda. É feriado oficial na República da Irlanda, Irlanda do Norte, e nas províncias canadenses de Terra Nova (Newfoundland) e Labrador. Corresponde à data tradicional da morte de São Patrício em 461 d.C. Foi ele o responsável em difundir o cristianismo na Irlanda. Usava o trevo de três folhas (shamrock) para explicar a Sagrada Trindade aos pagãos irlandeses. Há desfiles e festivais, onde o povo se veste de verde e carrega um trevo em homenagem ao santo. Como este dia sempre cai durante a quaresma, são suspensas as restrições alimentares e de bebidas alcoólicas que têm encorajado o alto consumo de álcool nesta data. É também comemorada pela diáspora irlandesa, principalmente na Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Brasil. 

Aqui em São Paulo, vários bares e restaurantes irlandeses se esmeram nas comemorações do Dia de São Patrício. Homenageiam-se os leprechauns e, para lembrar o santo, é também exibido o trevo de três folhas. Nesta hora, todos os presentes são irlandeses ou seus descendentes, principalmente depois de alguns bons copos de Guinness!

Que os leprechauns fiquem perto

Para dar-lhe sucesso vitalício

E que todos os anjos irlandeses decerto

Sorriam para você no Dia de São Patrício.




segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

MEMÓRIAS DE SÃO PAULO



Na minha juventude, morava no bairro de Campo Belo, e as ruas eram de terra batida e não havia calçadas. As ruas principais do bairro (Rua Prudente de Moraes, hoje Rua Antonio de Macedo Soares, e a Rua Vieira de Morais) que cruzavam com as outras, eram as únicas cobertas com paralelepípedos, alguns quarteirões com calçadas, outros não. O movimento de automóveis era pequeno, com trânsito maior de caminhões e ônibus. Dependíamos destes ônibus e dos bondes para ir e vir do centro.

Andar de bonde, então, era uma aventura. No trajeto que ia da Praça João Mendes até Socorro, o bonde levava quase duas horas. Depois de descer a Rua Conselheiro Rodrigues Alves e passar pelo Instituto Biológico, entrava numa longa reta, com trilhos à semelhança de uma estrada de ferro. Da mesma forma que uma ferrovia, as paradas tinham os nomes em placas presas entre dois postes com a identificação pintada em letras pretas sob fundo branco, cuja sequência até chegar em Santo Amaro eram: Ipê, Monte Líbano, Moema, Indianópolis, Vila Helena, Rodrigues Alves, Campo Belo, Piraquara, Frei Gaspar, Volta Redonda, Brooklin Paulista, Petrópolis, Floriano, Alto da Boa Vista e Deodoro. Daí por diante, os trilhos voltavam a ficar embutidos nos paralelepípedos e viam-se muitas casas e lojas comerciais. Pois o fato é que durante todo o trajeto desde o Biológico, havia grande número de chácaras e poucas casas, estas últimas se aglomerando junto às paradas dos bondes. Do Largo 13 de Maio, centrão de Santo Amaro, o bonde, que era fechado, descia até a Praça São Benedito. Quem quisesse atravessar a ponte sobre o rio Pinheiros e chegar à Praça de Socorro, fazia a baldeação para um bonde aberto. Pergunto-me até hoje o motivo disso. Será que a ponte não suportava o peso de um bonde maior, ou não havia passageiros suficientes e era vantagem retornar logo para a cidade com o bonde maior?

Íamos de bonde para o Colégio Estadual que ficava em Santo Amaro. Muitas vezes os nossos professores nos faziam companhia, pois poucos tinham seus próprios carros. Lembro-me bem de uma ocasião em que os bondes pararam no Brooklin, um atrás do outro e tivemos de ir a pé até a escola, uma pernada e tanto. Os meus colegas e eu passamos em frente à fábrica de chocolates Lacta. Logo adiante, vimos o motivo. Na parada Petrópolis, um bonde em alta velocidade havia colhido um caminhão distribuidor de água da Fonte Petrópolis (que existe ainda hoje), arrastando-o por vários metros. Não me lembro se alguém saiu ferido. Havia garrafas de água e cacos de vidro por todo lado. Será que o motorneiro desceu o declive existente em frente à Lacta à toda e não conseguiu parar em tempo e pegou o caminhão que estava atravessando a linha?

A vida, na adolescência, era bastante pacata e singela. As andanças de bicicleta com um grupo de coleguinhas era uma delícia. Dois quarteirões depois de nossa rua, começavam as chácaras onde eram plantadas hortaliças que abasteciam a cidade de São Paulo. Havia estreitas passagens nas chácaras pelas quais íamos com nossas bicicletas até chegarmos ao Aeroporto de Congonhas. Naquele tempo, o aeroporto não era cercado e íamos até a cabeceira da pista e lá ficávamos observando os aviões passar por cima de nossas cabeças para pousar. Nem imaginávamos o perigo pelo qual passávamos, porém a gente sabia que estávamos errados pois, vez ou outra, saíamos correndo de lá quando um jipe vinha em nossa direção, piscando os faróis. Era apenas um incentivo para ousarmos voltar. Será que cercaram o aeroporto por nossa causa?

A nossa rua de terra era um convite para se jogar “taco”, uma modalidade brasileira simplificada do “cricket”. A finalidade era derrubar, com uma bola (geralmente de tênis), uma casinha em formato de tripé feita com alguns finos galhos de árvore e que era defendida por quem estivesse com o taco. No jogo inglês, há três pequenos postes, unidos por travessas pequenas no seu topo que precisam ser derrubadas. Meu pai esculpiu um lindo taco para mim, que era invejado por todos os jogadores. Está guardado como lembrança daqueles tempos.

Outro jogo bastante gostoso era com bolinhas de gude. Fazíamos três buracos equidistantes alinhados na terra e um quarto buraco em ângulo reto com o buraco da ponta. Tínhamos de alcançar aquele último, mas também precisávamos afastar os adversários, atingindo suas bolinhas com a nossa. Depois de fazer nossas lições de casa, ficávamos jogando até o anoitecer, quando nossos pais nos chamavam para jantar e dormir. É desnecessário dizer que voltávamos para casa resmungando e de mau humor.

Os dias passam céleres e eis que estamos retratando fatos de mais de cinquenta anos atrás! Como era bom não ter responsabilidades, não ficar preso dentro de casa em frente a uma televisão, que poucos tinham naquele tempo. Não havia computadores, nem éramos escravos de celulares, tablets etc. Eram outros tempos. Ah, tempos idos, que não voltam nunca mais...

Sampa, Uma História em Dez Linhas



                       Metrópole barulhenta
Megalópole cultural
Multinação sedenta
Miscigenação social

Totalmente acostumado
Ao ritmo acelerado

Nasceu como ente valente
Nem um pouco maluco
Nela, assume pertinente
“Non Ducor, Duco”!