Tomei conhecimento deste texto,
em inglês, quando foi publicado no Boletim da comunidade inglesa de São Paulo. Gostei
tanto que decidi traduzi-lo. Como não constava o nome do autor, fui procurar na
Internet. Não só observei que era uma história bastante consagrada, como o
autor é desconhecido. Procurei ver se havia um texto similar em português, mas não
encontrei. Por isso, apresento aos meus leitores
UMA
HISTÓRIA E TANTO
Um
fazendeiro tinha alguns filhotes de cachorro que precisava vender. Pintou um
cartaz anunciando a venda de quatro filhotes e o martelou num poste na entrada
de sua casa. Quando estava colocando o último prego, sentiu um puxão no seu
macacão.
Olhou
para baixo no rosto de um menino.
—
Senhor — disse ele. — Eu queria comprar um dos seus cachorrinhos.
—
Bem — disse o fazendeiro, enquanto enxugava o suor do pescoço. — Estes filhotes
vem de ótimos pais e custam um bocado caros.
O
menino baixou a cabeça. Então enfiou a mão no fundo do bolso e retirou um punhado
de moedas. Estendeu as moedas para o fazendeiro.
—
Eu tenho trinta e cinco centavos. Será o suficiente para vê-los?
—
Mas é claro — disse o fazendeiro. Com isso, soltou um assobio. — Aqui, Dolly!
Saíram
da casinha de cachorros a Dolly, seguida por quatro filhotes parecendo bolinhas
de pelúcia. O garotinho apertou seu rosto contra a cerca. Seus olhos brilhavam.
Enquanto os cães se aproximavam da cerca, o menino observou que havia outra
coisa se mexendo na casinha dos cachorros. Devagarzinho, apareceu outra bolinha
de pelúcia, porém notadamente menor. Andando com dificuldade, o filhote começou
a cambalear em direção aos outros, fazendo o possível para alcançá-los...
—
Eu quero este aí — disse o garotinho, apontando para o nanico. O fazendeiro
ajoelhou-se ao lado do menino e disse: — Meu filho, você não vai querer aquele
filhote. Ele nunca conseguirá correr e brincar com você como os outros fariam.
Com
isso, o menino se afastou da cerca e levantou uma das pernas das calças.
Revelou assim uma órtese metálica que descia pelos dois lados de sua perna
presa num calçado especial.
Olhando
para o fazendeiro, ele disse: — Como o senhor pode ver, eu também não consigo
correr. E ele precisa de alguém que o compreenda.
Com
lágrimas nos olhos, o fazendeiro abaixou-se e pegou o cachorrinho. Segurando-o
cuidadosamente, entregou o filhote ao garotinho.
—
Quanto lhe devo? — perguntou...
—
Nada! — respondeu o fazendeiro, e repetiu: — Nada mesmo. Não se cobra por amor.
O Mundo está repleto de gente que necessita de alguém
que compreende.
Autor desconhecido
(tradução do inglês)
IN Spotlight News Bulletin, 2015
British and Commowealth
Community Council (BCCC), São Paulo

